Foi um daqueles encontros memoráveis. Ocorreu ao final da minha primeira infância, por volta dos cinco ou seis anos. As lembranças são fragmentadas, mas os recortes que consigo acessar são nítidos e reconfortantes. Revelam uma conexão primordial com a natureza.

Um riacho caudaloso e transparente em meio ao cerrado paulista – naquela época, muito conservado. Dois ou três caniços, minhocas e massinha como iscas, “repelex” para espantar mosquitos. Para o lanche, pão com mortadela e guaraná caçulinha, a ser refrescado pela água do rio. Estava pronta a aventura em busca de lambaris, piaus, mandis e, eventualmente, uma valente tabarana.

O “agente” da aventura era meu pai. Para chegar ao ponto ideal da pescaria, percorríamos uma trilha que parecia interminável. Zelo e afeto temperavam a jornada. Em trechos mais fechados da picada, ele me carregava nos ombros, de “cavalinho”. Dizia que era para me proteger de acidentes ou de uma eventual picada de cobra. Minha dúvida era outra: e se ele fosse picado, o que eu – muito pequeno – faria?

É claro que o ataque nunca aconteceu, mas isso pouco importava. O “estrago” já estava feito: a primeira infância é uma fase rica em experiências e descobertas. Nessa etapa, mais do que em qualquer outro momento da vida, o cérebro forma conexões e se desenvolve. A arquitetura cerebral se prepara para o desenvolvimento físico, cognitivo, emocional, afetivo e social.

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