Postagem via FaceBook do José Sabino.

Com apenas 18 dias de nascido, o bebê Norisleo Paim Mendes e sua mãe, Maria Joana Paim, do povo Guarani Kaiowá, foram contaminados por agrotóxico pulverizado na aldeia Tey’ijusu pelo ​tratorista de uma fazenda, em 2014. A área da fazenda está sobreposta à Terra Indígena Dourados Amambaipeguá 1, em Caarapó, no Mato Grosso do Sul, que ainda não foi demarcada pelo governo federal.

Em julho deste ano, a agência Amazônia Real visitou a aldeia Tey´ijusu. O pai do bebê, Kunumi Verã, contou que, na ocasião em que a criança e a esposa foram contaminados por agrotóxicos, procurou o tratorista, mas ele o recebeu com arma em punho.

“Eu ia perguntar por que ele passou veneno em cima. Foram contaminadas nove pessoas naquele dia. Ele puxou uma arma pra mim. Quando ele puxou, nós também atacamos. Fomos de flecha. Eu furei o tanque [do trator]. Eu não matei vida, não passei veneno em cima de ninguém. Eu só estou lutando pelo nosso direito, pela comunidade. Por furar esse tanque eu estou sendo perseguido”, disse Kunumi Verã, que está sendo processado por ter furado o tanque de combustível do trator da fazenda.

A população indígena do Mato Grosso do Sul é a terceira do país mais contaminada por agrotóxicos, segundo o atlas “Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia”, da pesquisadora Larissa Mies Bombardi, professora de Geografia Agrária da Universidade de São Paulo (USP). A pesquisa, que será lançada em novembro, aponta que 12 índios foram contaminados por agrotóxicos em Mato Grosso​ do Sul entre 2007 e 2014.

De acordo com o estudo, o Mato Grosso do Sul tem seis casos de intoxicação para cada 10 mil indígenas. “Levando em consideração outros 50 não notificados, temos 300 casos para cada 10 mil. Isso indica 3% da população indígena intoxicada”, explica a cientista em entrevista à reportagem.

A intoxicação dos índios por agrotóxico acontece por causa da expansão dos cultivos do agronegócio em lavouras de soja, milho e cana-de-açúcar das fazendas, que ficam no entorno ou sobrepostas às terras indígenas. Nascentes de rios e córregos, que abastecem as aldeias, são contaminados pela pulverização – terrestre ou​ aérea – de defensivos agrícolas, pesticidas e outros produtos usados no combate a pragas nas plantações.

Veja clicando AQUI a matéria completa e também o vídeo-reportagem com os depoimentos inéditos dos Guarani Kaiowá.

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