Sequestro relâmpago, cerceamento de liberdade e instalação de cercas elétricas nos quintais de comunidades tradicionais geraizeiras. Essas são algumas das acusações contra o megaempreendimento administrado pelo ex-banqueiro Ronald Levinsohn.

O agricultor Ednaldo Lopes Leite, de 32 anos, quase perdeu a vida quando desafiou o megaempreendimento que se expande sobre as terras da sua família, no interior de Formosa do Rio Preto, a mais de 1.000 km da capital Salvador, na Bahia. Naquela terça-feira de novembro de 2017, foi alvejado por funcionários do Agronegócio Estrondo, empresa composta por 22 companhias que trabalham com monoculturas de milho, soja e algodão, dentre outros ramos. Ednaldo havia tido a coragem de pastorear o gado por uma estrada pública cujo acesso foi fechado pela Estrondo sem ordem judicial. Do alto do cavalo, escutou o motor de um carro se aproximando. Então, um dos funcionários da empresa deu a ordem para abandonar o gado e sair. Do contrário, atirariam. Como não era a primeira tentativa de intimidá-lo com um gatilho, avançou. Depois, vieram os disparos. “Eles não quiseram acertar, senão tinham conseguido.” Ednaldo disse que seguiu com uma advogada para a delegacia de Formosa, mas não conseguiu registrar o boletim de ocorrência porque o sistema estava fora do ar.

Não foi a primeira vez que funcionários de Estrondo tentaram intimidar a família, como mostram os boletins de ocorrência guardados. Há dois anos, ele e um irmão denunciaram uma sessão de violência física, quando foram algemados e mantidos por horas dentro de uma caminhonete com funcionários da empresa por tentar impedir a construção de uma cerca em Cachoeira, uma das comunidades em Formosa do Rio Preto, a quinta maior produtora de soja do país e a primeira do Estado, com extensão territorial maior que o estado de Sergipe. Eles dizem que nunca tiveram retorno sobre a investigação. Procurada várias vezes, a Polícia Civil da Bahia não se manifestou até o fechamento desta edição.

Além do vídeo desta matéria, temos uma excelente cobertura jornalística do Repórter Brasil que pode ser vista na íntegra no link AQUI.

 

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